




Giuseppe Arcimboldo, A Primavera











Sabemos que as sociedades gregas e romanas eram permissivas na aceitação das ligações homossexuais. E de outras coisas que ainda hoje se condenam. Foi há milhares de anos. Depois veio o cristianismo e novos códigos de conduta para limpar os excessos do regime romano. Mais tarde o islamismo veio reforçar a não permissividade das condutas ditas amorais. Falo só das religiões que congregam as grandes plebes.
Aqui, neste cantinho europeu, quase em 2010, quer-se legalizar as uniões homosessuais. Tudo tem que ser lido com o respectivo enquadramento. Hoje, existe uma exponencialmente crescente onda de homossexualização. Travá-la? Para quê? Porquê? Por não se concordar com ela? Por não se aceitar o tipo de relações que está por detrás? Hipocrisia pura. Estas tendências, mais não são do que o produto da sociedade que se foi moldando. Uma sociedade que aprendeu a evoluir em velocidade, a rejeitar o passado, a projectar-se num futuro cheio de insatisfações e, por isso mesmo, impelida a ir cada vez mais depressa, numa fuga para a frente, na busca insaciável da satisfação. Uma satisfação efémera, que se esfuma mal se alcança, e que nos devolve o corpo e a alma, transfigurados, numa corrida alucinante à procura de novas sensações, de novos choques, de novos confrontos, de novas formas de estar, ser e pensar.
Fica de fora a forma de sentir. Já ninguém liga aos sentimentos. Importa apenas consumir sem ser consumido. Os políticos vão na onda e o mundo pula e avança. Com mais ou menos mariquices.
Querem legalizar o aborto? Referende-se. Querem legalizar as uniões de lésbicas, gays e travestis? Referende-se. Querem mais mulheres na Assembleia, no Governo, nas direcções das empresas? Referen... Não, aqui basta estabelecer quotas. Porquê diferente? Não nos convém assumir que somos uma sociedade machista, claro!
Será que os referendos ajudam a lavar as mão como Pilatos? Triste país, vivendo em permanente estado inculto, que deixa nas mãos de quem não educou para decidir, a decisão sobre o que quer que seja. Daí, os governos que temos tido. Claro, a democracia. A tal que foi criada pelos Gregos. Os tais.
E o governo que deveria ser laico, ainda pondera referendar! ou seja, aceitar perpetuar a sujeição ao domínio eclesiástico. De onde, por coincidência, vem uma percentagem razoável de gays. Sinistra hipocrisia.
Nesta guerra quixotesca, avancem com as cartas para cima da mesa e confessem lá o que vos move. Sabemos bem como são cada vez mais fortes as organizações de homossexuais. Sabemos bem o poder económico que representa essa parcela da sociedade. Sabemos então tudo: poder e dinheiro.




Georges Seurat - st denis

La donna. "A mulher" soa lindamente em italiano. Continuo com obras de Alberto Sughi, que descobri recentemente. Ilustram a Mulher. A mulher é o antídoto para a depressão dos dois posts anteriores (ironicamente separados pela silly season). Mesmo feia, se tiver uma séria dose de sensualidade, a mulher torna-se a atracção que apetece consumir. Consumir é viver. Vivê-la. E vivê-la é vivermos.
A mulher que não apetece consumir, é a que não evidencia inteligência. A que olha apenas para a superfície dos espelhos. A que diz que colocou silicone, mas que pediu ao médico para achatar... o cone. Silly. A que abre desmesuradamente os olhos quando não entende o que se lhe diz. A que não pestaneja, quando lhe dizemos que o mundo acaba dentro de 13 minutos. A que não ri. A que não... nos atrai. Porque nos afasta. Estas mulheres estão reservadas para os homens que as outras mulheres não consomem.


Wahnfried, A Casa de Wagner e Cosima.





Rubens, Anjos a fazer música

Rodin, o Pensador









As Rosas. Vermelhas. Isoladas, para que a sua beleza transgrida a fronteira entre a discreção e a ostentação. Para que os olhos se fixem nelas. No seu caule defensivo, orgulhosamente erecto. Nas suas pétalas delicadas, e assim imaginar que o cheiro perfumado nos alcança. Depois, cerrar os olhos, e continuar a seguir a imagem das rosas. Flutuar ao sabor da imaginação. Atravessar as águas da piscina como quem atravessa as águas da Mancha, num pulo que faz parar o tempo. Recuar e avançar no tempo. Preguiçando, à solta, na Terra do Faz de Conta.
Os Cedros. Verdes. Onde os olhos descansam, poisados na beleza estranha das suas folhas. De novo, cerramos os olhos, e tentamos passar o filme do seu crescimento. Ainda tão novos, mas já tão crescidos. De pequenos e frágeis, passaram já a robustas árvores que nos protegem do sol e do vento. Deambular por eles é pensar que o tempo não pára. E que atrás de tempo, tempo virá. É preguiçar, afinal.



