segunda-feira, 1 de setembro de 2014
Música de mortos
Azucrinam-me os ouvidos sobre as músicas que oiço. Que só oiço músicas de mortos, ou que só oiço músicas esquisitas. Se o bruá não fosse tão indigente ainda mereceria resposta. E no meio de tanto demérito, o tema transportou-me para a primeira música que ouvi, como se o mundo tivesse começado ali. Foi o caminho da descoberta desse mundo e de novos mundos. Que ainda hoje prossegue, como não poderia deixar de ser. Pelo caminho percorrido apropriei-me de músicas que fazem parar o mundo. Estes são os primeiros minutos daquela primeira música. Obrigado Ike.
sexta-feira, 29 de agosto de 2014
If
If
If freckles were lovely, and day was night,
And measles were nice and a lie warn’t a lie,
Life would be delight,—
But things couldn’t go right
For in such a sad plight
I wouldn’t be I.
If earth was heaven and now was hence,
And past was present, and false was true,
There might be some sense
But I’d be in suspense
For on such a pretense
You wouldn’t be you.
If fear was plucky, and globes were square,
And dirt was cleanly and tears were glee
Things would seem fair,—
Yet they’d all despair,
For if here was there
We wouldn’t be we.
And measles were nice and a lie warn’t a lie,
Life would be delight,—
But things couldn’t go right
For in such a sad plight
I wouldn’t be I.
If earth was heaven and now was hence,
And past was present, and false was true,
There might be some sense
But I’d be in suspense
For on such a pretense
You wouldn’t be you.
If fear was plucky, and globes were square,
And dirt was cleanly and tears were glee
Things would seem fair,—
Yet they’d all despair,
For if here was there
We wouldn’t be we.
E.E. Cummings
Picasso, Red Armchair
If only
If
(‘Brother Square-Toes’—Rewards and Fairies)
If you can keep your head when all about you
Are losing theirs and blaming it on you,
If you can trust yourself when all men doubt you,
But make allowance for their doubting too;
If you can wait and not be tired by waiting,
Or being lied about, don’t deal in lies,
Or being hated, don’t give way to hating,
And yet don’t look too good, nor talk too wise:
If you can dream—and not make dreams your master;
If you can think—and not make thoughts your aim;
If you can meet with Triumph and Disaster
And treat those two impostors just the same;
If you can bear to hear the truth you’ve spoken
Twisted by knaves to make a trap for fools,
Or watch the things you gave your life to, broken,
And stoop and build ’em up with worn-out tools:
If you can make one heap of all your winnings
And risk it on one turn of pitch-and-toss,
And lose, and start again at your beginnings
And never breathe a word about your loss;
If you can force your heart and nerve and sinew
To serve your turn long after they are gone,
And so hold on when there is nothing in you
Except the Will which says to them: ‘Hold on!’
If you can talk with crowds and keep your virtue,
Or walk with Kings—nor lose the common touch,
If neither foes nor loving friends can hurt you,
If all men count with you, but none too much;
If you can fill the unforgiving minute
With sixty seconds’ worth of distance run,
Yours is the Earth and everything that’s in it,
And—which is more—you’ll be a Man, my son!
Van Gogh, Landscape under a stormy sky
sexta-feira, 22 de agosto de 2014
Exemplar? ou nem por isso
A actividade bancária presta-se a tentar os seus intervenientes. Têm-se conhecido diversas formas concretizadas de "tentações". Com consequências de dimensão variável, mas sempre prejudicando diversos "stakeholders". A primeira conclusão é que os supervisores falham recorrentemente. E ao falharem tantas vezes, nem se lembram de auditar-se a si próprios para detectar as insuficiências dos procedimentos. Incompetência clara. Porque se for outra coisa além de incompetênciasó pode ser crime.
Em Portugal, os exemplos que têm saltado a público nos últimos anos são duplamente gravosos, pois adicionalmente afectam um país pequeno, onde a economia está toda ela muito interligada, e os impactos sistémicos são sempre penalizadores.
Quando as prevaricações excedem a prática nebulosa da actividade, resta a justiça para punir exemplarmente.
Em Inglaterra, e principalmente nos Estados Unidos, têm sido emitidas punições exemplares. Ontem foi anunciada mais uma: O Bank of America acordou pagar uma multa de 16,7 biliões de USD, como punição do seu envolvimento no escândalo do "subprime".
BofA? Again? Olhando para as multas recentes aos bancos americanos:
Agosto 2014 - BofA - 16,7 bl USD
Março 2014 - BofA - 9,3 bl USD
Novembro 2013 - JP Morgan - 13,0 bl USD
Janeiro 2013 - BofA - 11,6 bl USD
Fevereiro 2012 - BofA - 11,8 bl USD
BofA, again and again? Multas que, pela sua dimensão castigadora, deveriam desencorajar as práticas à margem da lei, mas parece não terem esse efeito, pois a mesma entidade continua a prevaricar. Deveriam ter a palavra, os accionistas, que vêm assim os seus dividendos surripiados por uma má gestão. Será que estas multas milionárias são mesmo exemplares e bastam? Não deveria a supervisão sentar-se permanentemente nos "Boards" e nos orgãos decisores destes bancos?
Uma batalha diferente
Há meses soube de um projecto que nunca me poderia deixar indiferente. Hoje soube que a sua concretização foi adiada. Ou seja, a semente está lançada. Preocupante!
Na desconhecida vidade de Hartford, Conn., alguém - o produtor teatral C. Goldstein - se lembrou de economizar numa produção do Anel. Vai daí, com a gravação do som dos instrumentos e a pauta computorizada, tem-se toda uma orquestra no desemprego, substituída por música digital.
Já alguém chamou a esta ideia "karaoke operático". Os músicos estão obviamente contra
Os solistas que tomem atenção, pois poderão vir a sofrer da mesma erradicação. E ser substituídos por marionetas, porque não? E assim, para quê o maestro? para quê toda uma panóplia de profissões que a ópera ao vivo alimenta? E os espectadores? Aceitarão pagar para "ouvir um CD"? A caixa de Pandora está entreaberta.
Quem vai ganhar esta batalha? A demência fundamentalista pelos cortes de custos só parará com o colapso do sistema que está a ser implementado em todos os negócios, em todas as esquinas da vida. Atenção consumidores, voltaram as forcas às esquinas.
A batalha perdida.
Daqui para a frente existe um défice ecológico a juntar aos défices intelectual e moral.
Crescendo estes, não perderemos a guerra. Não crescendo, obrigaremos o sistema ecológico a um forte ajustamento. Este, sem troika mas com muita doença mortal. Àfrica e Ásia, campeões da procriação desenfreada, exportarão os virus dizimantes.
E começa a desenhar-se um novo poder emergente, o de quem possuir água. Recordo que nós, neste cantinho Portugal, temos muitos rios. Mas que nascem em Espanha. Alternativa? O imenso mar que nos rodeia e o incremento das técnicas de dessalinização. Até poderemos vir a exportar água. E resolver assim o nosso estado de país falido. A água será o novo petróleo.
A. Durer, Os Quatro Cavaleiros do Apocalipse
terça-feira, 19 de agosto de 2014
A mãe de todas as batalhas
Sonhei que me sentava. À minha frente um quadro ocupava totalmente o meu campo de visão. À minha volta, ninguém. Sala vazia, como se o museu fosse só para mim. Mas eu sabia que havia ali muita gente. Que eu não via. Só o quadro existia. Representava a ala dos namorados na batalha de Aljubarrota. 14 de Agosto de 1385. Foi ao fazer as contas aos anos decorridos que o quadro me inundou, alheando-me de tudo o mais.
Só que eu já não via a cena da batalha. Ela tinha-se transformado num desfile mudo e acelerado. Via agora os meus anos de vida passarem desenfreadamente naquele quadro. A vida é assim tão curta? Seria a minha vida, tal e qual? Talvez uma das minhas possíveis vidas.
Abandonei o corpo na sala do museu e entrei no quadro. Queria ver o futuro, não o meu, mas o que espera as próximas gerações. No fundo, para saber quantos filhos devemos ter. Mais, menos, ou nenhum se o futuro for assim tão mau. Mas não consegui ver nada. Teria de procurar a resposta fora do quadro.
Acordei com o choro de um bébé e vi que estava arrepiado. A batalha para obter resposta estava longe de ter fim.
Hi-ho Silver... away
Chegar, cumprir um ciclo, desaparecer. Hi-ho Silver... away.
Olho para os espelhos da vida, vejo quem deixei de ver há muitos anos, as marcas do tempo nas faces, a sensação incómoda de que estaremos envelhecidos. Procuro para além das rugas, tento encontrar indícios vivos do que conheci nessas pessoas agora estranhas. Os olhos, o sorriso, a voz, mas, acima de tudo, o raciocínio, a inteligência. Procuro o que sobressai nessas pessoas, para além da decadência. What have you done with your inner self? E tento compreender, justificar, a diferença. Porque ela existe. Dir-me-ão, agruras que o tempo tece em teias que nos transcendem. O envelhecimento físico é só a parte mais frágil do eu, de ti, e de ti, e de ti... Sei que o físico sempre foi gratificantemente enganador, vestindo de luxo o intelectual. Agora com a roupagem puída, será que o intelectual continua a ser tão atraente como era? Terá, certamente de ser mais compensador, e aqui reside o imbróglio!
Today I am a cowboy, tomorrow I´ll be a singing horseman. But the song remains the same, hi-ho Silver away!
quarta-feira, 16 de julho de 2014
Na Colina Verde
Overall management: Eva Wagner-Pasquier, Katharina Wagner
| Friday | 25. July, 04:00 PM | Tannhäuser |
| Saturday | 26. July, 06:00 PM | Der fliegende Holländer |
| Sunday | 27. July, 06:00 PM | Das Rheingold |
| Monday | 28. July, 04:00 PM | Die Walküre |
| Wednesday | 30. July, 04:00 PM | Siegfried |
| Thursday | 31. July, 04:00 PM | Lohengrin |
| Friday | 01. August, 04:00 PM | Götterdämmerung |
| Saturday | 02. August, 04:00 PM | Tannhäuser |
| Sunday | 03. August, 04:00 PM | Lohengrin |
| Monday | 04. August, 06:00 PM | Der fliegende Holländer |
| Tuesday | 05. August, 04:00 PM | Die Walküre |
| Wednesday | 06. August, 04:00 PM | Lohengrin |
| Friday | 08. August, 06:00 PM | Der fliegende Holländer |
| Saturday | 09. August, 04:00 PM | Lohengrin |
| Sunday | 10. August, 06:00 PM | Das Rheingold |
| Monday | 11. August, 04:00 PM | Die Walküre |
| Tuesday | 12. August, 04:00 PM | Tannhäuser |
| Wednesday | 13. August, 04:00 PM | Siegfried |
| Friday | 15. August, 04:00 PM | Götterdämmerung |
| Saturday | 16. August, 06:00 PM | Der fliegende Holländer |
| Sunday | 17. August, 04:00 PM | Lohengrin |
| Monday | 18. August, 04:00 PM | Tannhäuser |
| Wednesday | 20. August, 06:00 PM | Der fliegende Holländer |
| Thursday | 21. August, 04:00 PM | Tannhäuser |
| Friday | 22. August, 06:00 PM | Das Rheingold |
| Saturday | 23. August, 04:00 PM | Die Walküre |
| Sunday | 24. August, 06:00 PM | Der fliegende Holländer |
| Monday | 25. August, 04:00 PM | Siegfried |
| Wednesday | 27. August, 04:00 PM | Götterdämmerung |
| Thursday | 28. August, 04:00 PM | Tannhäuser |
terça-feira, 1 de julho de 2014
sexta-feira, 29 de novembro de 2013
Problema eterno: pensar sim, mas... até que limite?
Tema despoletado pelo discurso de David Foster Wallace, intemporal. Pensar? Sim. Sem limites? Não. Há que saber travar, dominar a mente. David F Wallace não conseguiu travar a tempo. O problema é saber identificar o limite antes de não conseguir parar a atracção pelo abismo. Quem pensa para além desse limite, enlouquece ou acaba com a vida. Gloomy? Não, realista.
Extractos do discurso, para registo e ponderação.
On solipsism and compassion, and the choice to see the other:
Here is just one example of the total wrongness of something I tend to be automatically sure of: everything in my own immediate experience supports my deep belief that I am the absolute centre of the universe; the realest, most vivid and important person in existence. We rarely think about this sort of natural, basic self-centredness because it’s so socially repulsive. But it’s pretty much the same for all of us. It is our default setting, hard-wired into our boards at birth. Think about it: there is no experience you have had that you are not the absolute centre of. The world as you experience it is there in front of YOU or behind YOU, to the left or right of YOU, on YOUR TV or YOUR monitor. And so on. Other people’s thoughts and feelings have to be communicated to you somehow, but your own are so immediate, urgent, real.On the double-edged sword of the intellect, which Einstein, Steve Jobs, and Anne Lamott have spoken to:
Please don’t worry that I’m getting ready to lecture you about compassion or other-directedness or all the so-called virtues. This is not a matter of virtue. It’s a matter of my choosing to do the work of somehow altering or getting free of my natural, hard-wired default setting which is to be deeply and literally self-centered and to see and interpret everything through this lens of self. People who can adjust their natural default setting this way are often described as being ‘well-adjusted’, which I suggest to you is not an accidental term.
It is extremely difficult to stay alert and attentive, instead of getting hypnotized by the constant monologue inside your own head (may be happening right now). Twenty years after my own graduation, I have come gradually to understand that the liberal arts cliché about teaching you how to think is actually shorthand for a much deeper, more serious idea: learning how to think really means learning how to exercise some control over how and what you think. It means being conscious and aware enough to choose what you pay attention to and to choose how you construct meaning from experience. Because if you cannot exercise this kind of choice in adult life, you will be totally hosed. Think of the old cliché about ‘the mind being an excellent servant but a terrible master.’On empathy and kindness, echoing Einstein:
This, like many clichés, so lame and unexciting on the surface, actually expresses a great and terrible truth. It is not the least bit coincidental that adults who commit suicide with firearms almost always shoot themselves in: the head. They shoot the terrible master. And the truth is that most of these suicides are actually dead long before they pull the trigger.
And I submit that this is what the real, no-bullshit value of your liberal arts education is supposed to be about: how to keep from going through your comfortable, prosperous, respectable adult life dead, unconscious, a slave to your head and to your natural default setting of being uniquely, completely, imperially alone day in and day out.
[P]lease don’t think that I’m giving you moral advice, or that I’m saying you are supposed to think this way, or that anyone expects you to just automatically do it. Because it’s hard. It takes will and effort, and if you are like me, some days you won’t be able to do it, or you just flat out won’t want to.On false ideals and real freedom, or what Paul Graham has called the trap of prestige:
But most days, if you’re aware enough to give yourself a choice, you can choose to look differently at this fat, dead-eyed, over-made-up lady who just screamed at her kid in the checkout line. Maybe she’s not usually like this. Maybe she’s been up three straight nights holding the hand of a husband who is dying of bone cancer. Or maybe this very lady is the low-wage clerk at the motor vehicle department, who just yesterday helped your spouse resolve a horrific, infuriating, red-tape problem through some small act of bureaucratic kindness. Of course, none of this is likely, but it’s also not impossible. It just depends what you want to consider. If you’re automatically sure that you know what reality is, and you are operating on your default setting, then you, like me, probably won’t consider possibilities that aren’t annoying and miserable. But if you really learn how to pay attention, then you will know there are other options. It will actually be within your power to experience a crowded, hot, slow, consumer-hell type situation as not only meaningful, but sacred, on fire with the same force that made the stars: love, fellowship, the mystical oneness of all things deep down.
Worship power, you will end up feeling weak and afraid, and you will need ever more power over others to numb you to your own fear. Worship your intellect, being seen as smart, you will end up feeling stupid, a fraud, always on the verge of being found out. But the insidious thing about these forms of worship is not that they’re evil or sinful, it’s that they’re unconscious. They are default settings.On what “education” really means and the art of being fully awake to the world:
They’re the kind of worship you just gradually slip into, day after day, getting more and more selective about what you see and how you measure value without ever being fully aware that that’s what you’re doing.
And the so-called real world will not discourage you from operating on your default settings, because the so-called real world of men and money and power hums merrily along in a pool of fear and anger and frustration and craving and worship of self. Our own present culture has harnessed these forces in ways that have yielded extraordinary wealth and comfort and personal freedom. The freedom all to be lords of our tiny skull-sized kingdoms, alone at the centre of all creation. This kind of freedom has much to recommend it. But of course there are all different kinds of freedom, and the kind that is most precious you will not hear much talk about much in the great outside world of wanting and achieving…. The really important kind of freedom involves attention and awareness and discipline, and being able truly to care about other people and to sacrifice for them over and over in myriad petty, unsexy ways every day.
That is real freedom. That is being educated, and understanding how to think. The alternative is unconsciousness, the default setting, the rat race, the constant gnawing sense of having had, and lost, some infinite thing.
[T]he real value of a real education [has] almost nothing to do with knowledge, and everything to do with simple awareness; awareness of what is so real and essential, so hidden in plain sight all around us, all the time, that we have to keep reminding ourselves over and over:
‘This is water.’
‘This is water.’
It is unimaginably hard to do this, to stay conscious and alive in the adult world day in and day out. Which means yet another grand cliché turns out to be true: your education really IS the job of a lifetime.
Fonte: brainpickings.org
terça-feira, 16 de julho de 2013
A letter
It really matters why Portugal has an outdated economy. Education has been neglected for generations, thus producing, not only a generally low-skilled labour force, but also a generally incompetent array of politicians. These have been wasting decades of economic rebuild.
The bailout programme was a solid opportunity for the creditors to enforce the economic recovery. EC, IMF and ECB (the troika) had in hands a golden chance to reform the public sector and to enforce progressively higher levels of Education, thus driving the country towards manageable debt levels and placing the seed to a new generation of skilled labour and competitive entrepreneurship.
Alas, the troika has simply applied the short-sighted austerity recipe. If your neighbour is starving don´t give him the fish, instead teach him how to fish. Two badly managed years have produced nothing but austerity, provoking the fading of the population´s goodwill. Just now, the troika is admitting that they should have started with a strong, and also painful, reform of the public sector. It´s never too late, but it hasn´t started yet.
The conclusion has to be a bit pessimistic: how can a pupil be educated by an unskilled master? This crisis just shows that the pupil is lost in translation.
(Letter to the Financial Times)
Raimondi, the sorcerer
sexta-feira, 5 de julho de 2013
segunda-feira, 1 de julho de 2013
O futuro
Faz parte da roda da vida cada nova geração tomar o lugar da que a precede. Quando tal não acontece, cria-se um hiato vazio, em que a velha geração nada consegue acrescentar ao que fez (construiu ou destruiu) e a nova nada consegue fazer, por não ter tomado o lugar. E "tomado" deve ser lido como "conquistado" na situação que Portugal atravessa, em que os velhos se repetem e os novos não se fazem ouvir.
Temos uma geração nova e desempregada, sem crédito cívico para se afirmar e sem crédito financeiro para se realizar, com maior ou menor grau de empreendedorismo. E temos uma geração velha que claudica no pouco que conseguiu fazer, e se agarra a esse mesmo pouco, prolongando o estertor da sua sobrevivência.
Ambas as gerações, incompetentes para mudar o estado das coisas e fazer andar a roda da vida. Uma porque é incapaz e a outra porque tem medo. É por este medo que, pela História, será condenada. Pelo medo em dar espaço e ajudar a formar a geração que lhe tem forçosamente de seguir. A lei da vida limitada assim o obriga.
Estão lançadas as bases para o hiato vazio! É este o futuro que se aproxima. A sobrevivência, essa depende do tamanho do hiato: quanto mais reduzido maiora esperança de vida.
Inferno - Livro das horas do Duc de Berry
Este ano na colina verde
Thursday 25. July, 06:00 PM Der fliegende Holländer
Friday 26. July, 06:00 PM Das Rheingold
Saturday 27. July, 04:00 PM Die Walküre
Monday 29. July, 04:00 PM Siegfried
Wednesday 31. July, 04:00 PM Götterdämmerung
Thursday 01. August, 04:00 PM Tannhäuser
Friday 02. August, 04:00 PM Lohengrin
Saturday 03. August, 06:00 PM Der fliegende Holländer
Sunday 04. August, 04:00 PM Tannhäuser
Monday 05. August, 04:00 PM Lohengrin
Tuesday 06. August, 06:00 PM Der fliegende Holländer
Wednesday 07. August, 04:00 PM Tannhäuser
Thursday 08. August, 04:00 PM Lohengrin
Saturday 10. August, 06:00 PM Das Rheingold
Sunday 11. August, 04:00 PM Lohengrin
Monday 12. August, 04:00 PM Tannhäuser
Tuesday 13. August, 06:00 PM Der fliegende Holländer
Wednesday 14. August, 06:00 PM Das Rheingold
Thursday 15. August, 04:00 PM Die Walküre
Saturday 17. August, 04:00 PM Siegfried
Sunday 18. August, 04:00 PM Tannhäuser
Monday 19. August, 04:00 PM Götterdämmerung
Tuesday 20. August, 06:00 PM Der fliegende Holländer
Thursday 22. August, 06:00 PM Das Rheingold
Friday 23. August, 04:00 PM Die Walküre
Saturday 24. August, 06:00 PM Der fliegende Holländer
Sunday 25. August, 04:00 PM Siegfried
Monday 26. August, 04:00 PM Lohengrin
Tuesday 27. August, 04:00 PM Götterdämmerung
Wednesday 28. August, 04:00 PM Tannhäuser
Tristan und Isolde für Kinder X 27. Juli 2013, 11 Uhr, Premiere
Tristan und Isolde für Kinder I 28. Juli 2013, 11 Uhr
Tristan und Isolde für Kinder II 29. Juli 2013, 11 Uhr
Tristan und Isolde für Kinder III 31. Juli 2013, 11 Uhr
Tristan und Isolde für Kinder IV 1. August 2013, 11 Uhr
Tristan und Isolde für Kinder V 2. August 2013, 11 Uhr
Tristan und Isolde für Kinder VI 3. August 2013, 11 Uhr
Tristan und Isolde für Kinder VII 5. August 2013, 11 Uhr
Tristan und Isolde für Kinder VIII 6. August 2013, 11 Uhr
Tristan und Isolde für Kinder IX 6. August 2013, 14
quarta-feira, 22 de maio de 2013
sexta-feira, 3 de maio de 2013
heading to hell
No doubt about it, Portugal is heading to this. Government is driving the country with purposeful neglect. Unpunished incompetence, finding scape goats, running away at dead ends Italian style, ie elections every now and then.
Constitution should be amended to include applying justice resolutions and fierce penalties to politicians who prove to be incompetent governors and/or not compliant to their electoral promises (ie liers).
Shame prevents me of writing in Portuguese.
Inferno, in Divina Comedia - WA Bouguereau
Constitution should be amended to include applying justice resolutions and fierce penalties to politicians who prove to be incompetent governors and/or not compliant to their electoral promises (ie liers).
Shame prevents me of writing in Portuguese.
Inferno, in Divina Comedia - WA Bouguereau
terça-feira, 2 de abril de 2013
1813-2013
Red & Lion House
Nicolaischule
Minna Planer
Frauenkirche
German National Assembly at Paulskirche
Mathilde Wesendonck
Meistersinger´s Eva crowns Hans Sachs
Tribschen
Conducting Siegfried Idyll
Festspielhaus
Parsifal´s magic garden
Wagner dies in Venice; his body is brought back by gondola and train to Bayreuth, where he is buried in a grave behind his house, Wahnfried. His widow, Cosima, takes over as director of the Bayreuth Festival, committed to a faithful execution of her husband’s wishes, as she understands them, but ossifying the festival in the process.
Funeral at Bayreuth
The Bayreuth Festival reopens after the First World War. Wagner’s son, Siegfried, attempts (not completely successfully) to keep a distance from the proto-fascist nationalists encircling Bayreuth.
Siegfried and Cosima
Cosima dies at the grand old age of 92. Devastated by her death, and exhausted by personal and political tensions on the Green Hill, Siegfried suffers a heart attack, from which he never recovers. His production of Tannhäuser is already on the boards, but he never sees it.
Tannhauser 1930
Hitler’s rise to power initiates a period of generous state funding for the Bayreuth Festival. Winifred Wagner, Siegfried’s English-born widow, is on intimate terms with Hitler. The dictator attends the Bayreuth Festival each year from 1933 to 1939, but the Nazis do not interfere consistently with artistic policy as they do elsewhere. A petition is mounted against the replacement of the venerable production of Parsifal ‘upon which the Master’s eyes had once rested’. Hitler, however, is in favour of a new production, but the result, by the respected Alfred Roller, is not a success.
At Wahnfried, Winifred, sons, Hitler
Wagner’s grandsons, Wieland and Wolfgang, reopen the festival after the Second World War. Wieland’s radical stagings set new standards in European opera production. The first festival opens ambitiously with new productions of Parsifal, Die Meistersinger and the Ring; even so, Wolfgang very nearly succeeds in making the books balance.
New Bayreuth, Siegfried, Brunnhilde on the mountain top
The centenary of the first Ring is marked with a trailblazing production by the Frenchman Patrice Chéreau that once again changes the face of Wagner production in Europe. With Pierre Boulez on the rostrum, the production essays an audacious interplay of the work’s mythical and contemporary planes, setting the action against the socio-political backdrop of the Ring’s first century, roughly 1876 to 1976. Equally radical is the immediate and thrilling theatricality Chéreau brings to the acting style.
Wolfgang Wagner dies, having been at the helm for over half a century. His mantle falls, after much internecine strife, on his daughter Katharina and her half-sister Eva. Following controversial productions of Der fliegende Holländer in Würzburg and Lohengrin in Budapest, Katharina proves herself triumphantly with her first assignment at Bayreuth: a Meistersinger that grapples with the troubling ideology that underpins the work, as well as its consequent appropriation by the Nazis.
Eva and Katharina
Wagner200.co.uk
sexta-feira, 4 de janeiro de 2013
O problema português
O problema português é uma questão de dimensão.
Somos pequenos e a pequenez agravou a mesquinhez, as vistas curtas, a incapacidade de ver para além da bruma.
Somos pequenos e ficámos invejosos das várias dimensões dos outros, principalmente dos outros que vivem na nossa proximidade.
Somos pequenos e isso tornou-nos chicos-espertos, farejadores de atalhos para obter mais depressa e mais facilmente o que a outros é produto da criatividade e do labor.
Somos pequenos e quando fomos grandes nos Descobrimentos, depressa abraçámos a pequenez caseira. Fomos comerciantes, intermediários, comissionistas. Nunca fomos industriais, empreendedores e criadores de valor. Sempre fomos individualistas e repudiamos o grupo.
Somos pequenos e veneramos quem despreza a organização, o rigor, a transparência, quem consegue ludibriar impunemente. Tantas vezes publicamente, porque a vergonha é uma palavra sem significado.
Somos pequenos e poder dizer "Eu é que não sou parvo!" é a nossa aspiração máxima.
Somos pequenos e gostamos de nos disfarçar de grandes, mas se essa grandeza corre mal, depressa nos encolhemos e usamos a pequenez para pedir que não nos castiguem.
Somos pequenos e teimamos em sê-lo.
É esta a raiz do problema português.
Rob Gonsalves, in search of sea
Somos pequenos e a pequenez agravou a mesquinhez, as vistas curtas, a incapacidade de ver para além da bruma.
Somos pequenos e ficámos invejosos das várias dimensões dos outros, principalmente dos outros que vivem na nossa proximidade.
Somos pequenos e isso tornou-nos chicos-espertos, farejadores de atalhos para obter mais depressa e mais facilmente o que a outros é produto da criatividade e do labor.
Somos pequenos e quando fomos grandes nos Descobrimentos, depressa abraçámos a pequenez caseira. Fomos comerciantes, intermediários, comissionistas. Nunca fomos industriais, empreendedores e criadores de valor. Sempre fomos individualistas e repudiamos o grupo.
Somos pequenos e veneramos quem despreza a organização, o rigor, a transparência, quem consegue ludibriar impunemente. Tantas vezes publicamente, porque a vergonha é uma palavra sem significado.
Somos pequenos e poder dizer "Eu é que não sou parvo!" é a nossa aspiração máxima.
Somos pequenos e gostamos de nos disfarçar de grandes, mas se essa grandeza corre mal, depressa nos encolhemos e usamos a pequenez para pedir que não nos castiguem.
Somos pequenos e teimamos em sê-lo.
Rob Gonsalves, in search of sea
quarta-feira, 28 de novembro de 2012
À procura do tempo perdido
Não o de Proust! Seria demasiado profundo para tempos tão superficiais.
À procura de um tempo com qualidade de vida. Neste nosso tempo.
Vê-se a qualidade de vida esfumar. E o fumo não se consegue agarrar. Para onde foi? Voltará?
Para não azedar o Natal, aqui fica mais um escrito na penumbra. Curto. Para não roubar tempo ao tempo que procura esse tempo.
Escolha de um quadro intemporal.
Francesco Guardi - Venezia, San Giorgio Maggiore
À procura de um tempo com qualidade de vida. Neste nosso tempo.
Vê-se a qualidade de vida esfumar. E o fumo não se consegue agarrar. Para onde foi? Voltará?
Para não azedar o Natal, aqui fica mais um escrito na penumbra. Curto. Para não roubar tempo ao tempo que procura esse tempo.
Escolha de um quadro intemporal.
Francesco Guardi - Venezia, San Giorgio Maggiore
quarta-feira, 31 de outubro de 2012
Cães semi-afogados
As folhas das árvores teimam em cair. É o medo de bater num chão que não é acolhedor. O vento fustiga, a chuva continua a cair, mas as folhas recusam-se a atapetar o chão, onde nós nos queremos deitar. Cambaleamos mais e mais, a voz já fraca de tanto protestar contra o mau tempo, que anuncia dilúvio. Começamos a sentir medo do que aí vem. É o medo do escuro que preenche os dias sem sol. É o medo do que nos espera em qualquer das muitas esquinas que nos cercam. Seja a esquina da austeridade, seja a da incompetência, seja a dos novos criminosos do poder global, local. E os orçamentos para 2013 a serem discutidos por delinquentes legalizados. E, e, e,...
Recuamos para a parede mais próxima, toda ela uma ilusão, e continuamos a procurar acolhimento. Resta-nos o chão, agreste, sem folhas para amaciar a queda a que o cansaço conduz.
E agora, a chuva torrencial, o dilúvio, começa a cobrir-nos. A sensação de afogamento invade-nos, os olhos saem-nos das órbitas, espelham terror. Estamos impotentes, sem forças para ficar à tona da água. Sentimo-nos afogar, e os olhos, outra vez os olhos, encaminham-se para o céu. Vislumbram as folhas das árvores e reacende-se um brilho de esperança. Se, ao menos,...
Goya, Perro semihundido
Recuamos para a parede mais próxima, toda ela uma ilusão, e continuamos a procurar acolhimento. Resta-nos o chão, agreste, sem folhas para amaciar a queda a que o cansaço conduz.
E agora, a chuva torrencial, o dilúvio, começa a cobrir-nos. A sensação de afogamento invade-nos, os olhos saem-nos das órbitas, espelham terror. Estamos impotentes, sem forças para ficar à tona da água. Sentimo-nos afogar, e os olhos, outra vez os olhos, encaminham-se para o céu. Vislumbram as folhas das árvores e reacende-se um brilho de esperança. Se, ao menos,...
terça-feira, 23 de outubro de 2012
Richard Hawley
Foi uma descoberta recente. No início deste ano. Aconteceu um enorme prazer. O de ouvir uma música sentida, o de saber que ainda há quem componha música assim. Músicas e poemas compostos com a fragilidade do belo e a indignação por uma sociedade manietada por maus políticos. O último trabalho de Richard Hawley é disso prova maior. Revela um autor em conflito de criação, alguém que sente o impulso de criar o belo, mas não consegue deixar de se influenciar pela sociedade devastada pelas consequências destes últimos anos em crise. Talvez por isso mesmo, só se sinta bem em Sheffield, onde nasceu.
Ontem aconteceu a primeira possibilidade de o ouvir e ver ao vivo. Fantástica a entrega, músicos muito bem sintonizados com ele. O público com uma idade maioritariamente nos "entas" reflectia a maturidade exigida. Apenas umas poucas centenas, pois o homem (quase 46 anos) é pouco conhecido, assistiram, de pé (a Elizabeth McGovern, 51 anos, presente na proximidade, ilustrou o tipo de público, e...subiu na consideração).
Da set list, faltou a favorita pessoal Roll river roll. Restam as gravações, para saciar o apetite, os videos de menor qualidade (como estas fotos ontem tiradas) até que um dia apareça um DVD oficial, coisa que, apurada em conversa com o staff, não parece muito provável.
Até à próxima Hawley.
Ontem aconteceu a primeira possibilidade de o ouvir e ver ao vivo. Fantástica a entrega, músicos muito bem sintonizados com ele. O público com uma idade maioritariamente nos "entas" reflectia a maturidade exigida. Apenas umas poucas centenas, pois o homem (quase 46 anos) é pouco conhecido, assistiram, de pé (a Elizabeth McGovern, 51 anos, presente na proximidade, ilustrou o tipo de público, e...subiu na consideração).
Da set list, faltou a favorita pessoal Roll river roll. Restam as gravações, para saciar o apetite, os videos de menor qualidade (como estas fotos ontem tiradas) até que um dia apareça um DVD oficial, coisa que, apurada em conversa com o staff, não parece muito provável.
Até à próxima Hawley.
terça-feira, 25 de setembro de 2012
Um divórcio em coma
Nos últimos dias foi lavrado o divórcio entre a sociedade civil e a classe política. Em resultado da litigação, ambos ficaram em coma.
Se olharmos, por cima do ombro que seja, para a espuma dos dias, só vemos que o fio condutor da situação foi a incompetência da classe política, mas deixada à solta e sancionada pelos eleitores. O prevaricador foi alimentado pela vítima. E, normalmente, estes casamentos acabam em divórcio litigioso, com a libertação dos ódios da vítima. Mas a vítima tem der igualmente declarada culpada por negligência.
O enorme défice cultural de Portugal é o primeiro responsável pelo estado de coisas. Eleitores-formigas ignorantes votam às cegas em políticos-cigarras incompetentes.
Agora, divorciados e em coma, como trazê-los à vida?
Imaginemos lições administradas no soro que os mantém no limbo.
A necessária aculturação tem de acelerar o processo de recobro do comatoso.
A primeira aula tem de começar com perguntas que ponham o cérebro a trabalhar. Do tipo: Como foi possível Portugal chegar a este ponto?
Depois de algumas incursões pela História de Portugal, com alguma demora pelo período dos Descobrimentos e pela imediata delapidação da riqueza auferida na época, o doente-país pode ser ligeiramente sacudido com a inquietação sobre o seu estado futuro.
Com perguntas-choque, do tipo: Que podemos fazer para curar Portugal?
Neste ponto do recobro, há que fazer os comatosos imaginar uma classe política respeitada e uma sociedade civil esclarecida.
Estando ambos os comatosos infectados por indivíduos com uma evolução mental indetectável, há que exemplificar com ilustrações muito básicas. Do tipo: gerir um país é como gerir a sua casa; não pode gastar mais do que o que recebe com o que produz. E por aí fora, lição atrás de lição, até os comatosos intuírem que as crises não caem do céu, mas são provocadas ou alimentadas por eles próprios. E têm de ser eles a abrir caminho para o futuro responsável.
Aqui chegados, a sociedade civil, abrindo os olhos, terá de mudar o sistema eleitoral, por forma a impedir que os políticos chico-espertos deixem de ter o poder que hoje têm. Só, com um sistema eleitoral que responsabilize directamente os eleitos perante os eleitores, se poderá reconstruir a sociedade civil. Um sistema que permita a eleição da competência, em círculos locais, onde os candidatos não tenham que pertencer a listas partidárias. E a repercussão destas eleições em ondas que preencham os lugares do parlamento (menos de metade dos lugares de hoje, seriam o suficiente). E os governos assim formados e assim fiscalizados, deixariam de mentir aos eleitores e passariam a restaurar a confiança perdida.
Talvez voltasse a haver casamento...Leonid Afermov - enigma nocturno
sexta-feira, 14 de setembro de 2012
quarta-feira, 27 de junho de 2012
Arte para gigantes
Passada a onda mais pessimista, volto aqui para carregar sobre o conceito de Arte.
A propósito do gigantismo que alguns artistas adoptaram recentemente.
Com tal desproporção, como é possível apreciar as obras gigantes? Aquele artista (Javacheff Christo)que cobre e embrulha pontes e monumentos, produz o quê? Arte? Aquele artista (Spencer Tunick) que contrata pessoas para se colocarem nuas às centenas e serem por ele fotografadas, produz o quê? (a última vez foi há dias, em Munique, para celebrar os 200 anos do nascimento de RWagner, que nasceu em 1813) Arte? E todos aquele artistas cujo nome se esquece de imediato, que montam exposições com labirintos, com esculturas de formas gigantescas, produzem o quê? Arte?
Arte não é certamente. Formas de expressão? talvez já possa aceitar essas manifestações como formas de expressão.
Nunca como Arte.
Sob pena de ser obrigatório rever o conceito que temos de Arte. Sob pena de ser impraticável a aquisição dessas obras, para possuir particularmente, para deleite diário, para deleite privado com os amigos e apreciadores.
Afinal, parece que a resmunguice deu lugar ao pessimismo... E que tal, a resmunguice como forma de Arte? Difícil de colocar em exposição? Ou fácil de expôr, se a eloquência for a arte de falar aos berros. No fim, existem apreciadores para tudo.
Joana Vasconcelos em Versailles, Junho 2012
A propósito do gigantismo que alguns artistas adoptaram recentemente.
Com tal desproporção, como é possível apreciar as obras gigantes? Aquele artista (Javacheff Christo)que cobre e embrulha pontes e monumentos, produz o quê? Arte? Aquele artista (Spencer Tunick) que contrata pessoas para se colocarem nuas às centenas e serem por ele fotografadas, produz o quê? (a última vez foi há dias, em Munique, para celebrar os 200 anos do nascimento de RWagner, que nasceu em 1813) Arte? E todos aquele artistas cujo nome se esquece de imediato, que montam exposições com labirintos, com esculturas de formas gigantescas, produzem o quê? Arte?
Arte não é certamente. Formas de expressão? talvez já possa aceitar essas manifestações como formas de expressão.
Nunca como Arte.
Sob pena de ser obrigatório rever o conceito que temos de Arte. Sob pena de ser impraticável a aquisição dessas obras, para possuir particularmente, para deleite diário, para deleite privado com os amigos e apreciadores.
Afinal, parece que a resmunguice deu lugar ao pessimismo... E que tal, a resmunguice como forma de Arte? Difícil de colocar em exposição? Ou fácil de expôr, se a eloquência for a arte de falar aos berros. No fim, existem apreciadores para tudo.
Joana Vasconcelos em Versailles, Junho 2012
quinta-feira, 19 de abril de 2012
Contrasenso

As pessoas desesperam, nada esperam, nada fazem. Braços em baixo, caídos de descrença, com o sentimento de impotência a devorar-lhes o corpo e a alma, as gentes resignam-se a viver dias amrgos. Entrincheirados numa frágil resiliência, estão, lado a lado, os que não têm emprego e os que não conseguem empreender minimamente. Do outro lado da quase invisível trincheira estão os que trabalhando, vivem para trabalhar, e os que embora trabalhando, trabalham para viver.
É o retrato de uma sociedade falhada, geradora de terríveis efeitos laterais. Com o alargamento da consciência deste panorama, vem o grande contrasenso: as pessoas querem viver mais, mas não têm como; os que não têm pão, porque não conseguem, os que trabalham desejam que o dia passe depressa ansiando por algum descanso no final do dia; no dia seguinte, a mesma coisa, quer-se riscar da vida as horas de trabalho. Quer-se viver mais, vivendo menos. Estamos a deixar, cada vez mais, de viver em vida.
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